12 fevereiro 2007

add n to x - "add insult to injury" (2000)


Fim de semana nas montanhas.

Os amigos preferidos, os conhecidos escolhidos, os desconhecidos já revistos vezes sem conta, as conversas sobre os mesmos temas, as mesmas gargalhadas, os sorrisos repetidos, os olhares perdidos em volta das verdes, outras tantas vezes perdidos em negras… as mesmas partidas de bilhar, os mesmos bares, a natural dificuldade em arranjar acento… onde, ao fim e ao cabo, há sempre mais um lugar. Perde-se a noite em recordar que metade de mim está no outro lado da península, ainda ibérica. E finalmente… retornar à ria cheio de saudades dos que não posso trazer embrulhados para casa (isto também é para ti “tulipeiro” dum raio… as saudades também já moram em roterdão).

Volta das montanhas apenas acompanhado com alguns velhinhos cd’s para alegrar o fófór.

Resolvi recordar a fase final de milénio, em que a musica ouvia-se em partilha, feita de dádivas pequeninas, entre amigos, sempre os mesmos, longe da internet, de outras tantas facilidades só permitidas a quem vivia no litoral. Na bagagem trouxe Add N to (X) – Add Insult to Injury (2000), Laika – Good Looking Blues (2000), Up, Bustle and Out - Light 'Em Up, Blow 'Em Out (1997), Peace Orchestra - Peace Orchestra (1999) , Nightmares on Wax - Carboot Soul (1999), Tosca - Suzuki (1999) e Gus Gus - Polydistortion (1997).

Nos 258km que separam a capital do Nordeste montanheiro e a Amesterdão portuguesa, percorri a memória recente, perdida em tantas e tantas conversas de amigos, em suspiros cumplices de quem vos sabe perto e por isso é feliz.

Salientando um, apenas porque tinha de ser, terá de ser, apenas hoje, porque amanha com outros pressupostos a escolha seria certamente outra – obviamente (óbvio momentaneo, já disse) – Add N to X.

Barry Smith, Ann Shenton and Steven Claydon formavam o trio mais explosivo do final dos anos noventa, no que concerne a musica electronica, experimental, sintetizada, sexualmente explicita, poderosa. Não os consigo definir. Passei horas a mais a contemplar este disco, a perguntar-me se alguem mais, nalguma escola secundária, estaria a fruir o poder pulsante e vibratório dos sintetizadores, dos loops. Tempos mais tarde descobri um coleguinha duas carteiras ao lado da minha que pensava como eu, também tinha o mesmo disco, também tinha o mesmo sentimento de incompreensão.

Afinal para a musica, a internet começou à bem mais tempo do que se imagina.

3 comentários:

joao disse...

(i) tenho a folhinha dos autocolantes desde disco autografada pela ann shenton
(ii) singelamente pedi-lhe para me o autografar quando a entrevistei num hotel do campo pequeno. era tao novo e inocente nessa altura
(iii) ela escreveu: "to john, with much love, ann-a-logue (x) (x)"
(iv) hmmm, e ainda cheira a floresta

Marco Costa disse...

Joao!..eu ainda tenho alguns autocolantes intactos! por destacar! :)em q ano foi essa entrevista? e pq?

pedro disse...

muito lindo...
convincente...
quase que me emocionava, se no meio do choradinho estivessem os ex-amigos do porto.
pena o disco, que é horrível...