06 fevereiro 2007

'77 o ano punk

' Somos vitimas do tele-lixo barato.
Temos vários canais, mas só um é aproveitado.
É a tv-crânio...a rede nacional de emissores de pensamento em troca de revolta.
Enveneno-vos com versos como cianeto, abnego a ser boneco, tolerância zero! '

Em 1977 houve uma dupla do grande David Bowie 'Heroes' ( álbum do ano para o Nme) e 'Low'. Houve 'Animals' dos Pink Floyd. Houve '77' dos Talking Heads, 'Before and after science' de Brian Eno, 'Lust for life' e 'The idiot' de Iggy Pop, 'Marquee moon' dos Television, 'Trans-europe express' dos Kraftwerk, 'Suicide' dos Suicide. Até houve 'Exodus' o mais louvado de Bob Marley & the Wailers.
Mas se na musica '77 ficar para a história por alguma razão será pela explosão do punk.
Em '77 houve dupla ( estava na moda...) para os Ramones, 'Rocket to Russia' e 'Leave home'.Houve álbums the The Damned, The Saints, Buzzcocks, Dead Boys e uma serie deles mais.
E claro, houve as estreias de Sex Pistols e The Clash, respectivamente 'Nevermind the bollocks, here's the Sex Pistols' e 'The Clash'.
E se é verdade que poucos álbuns são tantas vezes referidos e servem de influencia como o dos Sex Pistols eu sempre fui um muito maior fã dos Clash.
Por várias razões.
Primeiro nunca vi nos Clash a promoção e campanha que sempre vi nos Sex Pistols.Nunca houve um McLaren por tras dos Clash. Nunca houve um anti-heroi ou icone como Sid Vicious nos Clash ( que icone este...não sabia tocar,era um junkie e até assassinou a mulher...).
O álbum é muito bom mas...sempre achei que vivia muito de Johnny Rotten. Eram dele as excelentes e sarcasticas letras, era em grande parte dele a atitude,ou pelo menos a parte da atitude que de facto tinha interesse, o confronto com o governo, a decepção, a revolta. O resto, perdoem-me os puristas, era mais fogo de vista que outra coisa.
A apoiar a minha teoria...o facto de nunca mais terem feito algo relevante...
Já os Clash desde cedo mostraram serem uma banda muito mais séria.As letras eram de revolta, como era de bom tom na epoca, mas havia verdadeiras preocupações politicas na banda.Foram uma banda marcante a vários niveis, dos primeiros a incorporar influências reggae e dub com proposito em musicas de cariz rock, nunca tiveram medo de arriscar e por em causa a sua aura de punk, nunca tiveram medo de serem apelidados de vendidos.
Tiveram nos anos seguintes uma bela carreira com 'Give'em enough rope' de '78, 'London calling' de '79 (obra-prima absoluta e dos melhores de sempre a todos os niveis), 'Sandinista' de '80 e 'Combat rock' de '82.A propósito de 'London calling' e 'Sandinista' lembrar que apesar de serem albuns duplo e triplo respectivamente, foram por imposição da banda lançados a preço de album simples e duplo numa clara demonstração de preocupação pelos fãs e de manutenção de valores iniciais da banda. Depois foram abandonando membros da formação original e acabaram por não terem o fim em grande que mereciam. Mas o seu legado ficara para sempre. Prova disso os depoimentos na caixa de singles ( ou noutros sitios...) recentemente lançada de gente como Irvine Welsh, Ian Brown e Mani dos Stone Roses, Bono e Edge dos U2, Bobby Gillespie dos Primal Scream (ainda hei-de falar deles aqui...) ou até Mike D dos grandes Beastie Boys que estava presente quando Paul, o baixista que agora trabalhou com Damon Albarn, partiu o seu instrumento naquilo que viria a ser a capa de 'London calling' num concerto em New York.Eram uma banda conhecida pela potencia dos seus shows ( passaram por Portugal...) e o seu album ao vivo prova isso.
Mas na estreia os Clash eram força, raiva, atitude, revolta, vontade de mudança.
Tinham grandes malhas como 'Janie jones', 'Remote control', 'white riot' (que chegou a ser erradamente conotada com racismo quando não era nada disso que queria dizer...Strummer so pedia aos seus colegas brancos que tivessem um bocado da furia que invadia na altura os negros de Brixton e de outras partes da Inglaterra, o tal 'white riot(...)a riot of my own'), 'London's burning' ou 'Police & thieves' ( já na altura uma versão de uma musica reggae/dub de Murphy e Lee 'Scatch' Perry ).E tinha 'I´m so bored with the USA', eles que viriam a ser grandes nos states.Nos continuamos 'bored' com eles e a gostar muito dos Clash.Punk's not dead!
Lugar comum mas...não resisti a acabar assim...ou...então...
'When they kick at your front door,
How you gonna come?
With your heads on your head,
Or on the trigger of your gun?'
Só falta um.

1 comentários:

johnny disse...

Fica sempre bem começar com uma citação do Fuse.
Concordo quando te referes à atitude fake dos sex pistols mas o «never mind the bollocks...» pra mim vai ser sempre o álbum emblemático do punk - também confesso que não conheço muito e nunca tive grande interesse pela cena punk.

keep up with the good work!